‘Rei Arthur’ abrigou apadrinhados de políticos no Detran, apontam relatórios da Polícia Federal

RIO –  A tabela apreendida com o ex-deputado Edson Albertassi durante a Operação Cadeia Velha, sobre a qual o Ministério Público Federal ( MPF ) se debruça, expõe mais um braço da influência do empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, mais conhecido como “ Rei Arthur ” devido aos contratos bilionários que teve com o governo do Rio na última década.

O empresário está foragido desde setembro de 2017, quando a força-tarefa da Lava-Jato no Rio deflagrou a operação Unfair Play. Menezes foi acusado de comprar votos de membros do Comitê Olímpico Internacional, na disputa que escolheu o Rio como sede da Olimpíada de 2016.

Segundo relatórios da Polícia Federal (PF), eram as empresas de Menezes e outras ligadas a ele que concentravam as indicações feitas por 88 políticos e servidores em troca de apoio político. Conforme O GLOBO mostrou domingo, nos últimos anos foram feitas 1.809 indicações para terceirizadas, grande parte delas para atender 50 deputados estaduais e suplentes da última legislatura, sete prefeitos e ex-prefeitos, além de quatro deputados federais. O MPF afirma que há indícios de corrupção em parte das indicações.

Um relatório da PF aponta que boa parte desses apadrinhados foram alocados na empresa Prol Staff (antiga Facility, de Arthur). Também são citadas a Bequest Gestão Ambiental, que tem participação societária da Prol, e outras três firmas que assumiram serviços no Detran após a saída da Prol: Probid Consultoria e Serviços, Pvax Consultoria e Logística, e Angel’s Serviços Técnicos. Desde 2007, quando Sérgio Cabral assumiu o governo do estado, o Detran empenhou R$ 943 milhões para pagar pelos serviços.

Há diversos casos em que apadrinhados por políticos foram registrados como funcionários em várias dessas empresas. E, mesmo com a troca de prestadores de serviços, os empregos eram mantidos. A Prol Staff encerrou o vínculo com o Detran em novembro de 2017, tendo sido substituída pela Probid e pela Pvax. Mas os investigadores constataram que os indicados seguiram empregados. “As empresas que substituíram a PROL mantiveram 100% dos funcionários dessa empresa, fundamentalmente nas funções ligadas à gestão, o que pode indicar que a PROL não foi substituída de fato, apenas se dividiu”, diz o documento.
A PF aponta que “há elementos que indicam que as empresas citadas até o momento que mantinham relações contratuais voltadas à terceirização de mão de obra com o Detran/RJ (…)sejam todas ligadas a Arthur César de Menezes Soares Filho”. Os investigadores afirmam que há suspeitas de que a Prol Staff e Bequest seriam, na verdade, a mesma empresa.

O MP do Rio pediu em 2017 à Justiça que Arthur e outros 19 réus devolvessem aos cofres públicos R$ 774,5 milhões desviados em contratos com o Detran. A Probid afirmou ter aproveitado funcionários da Prol Staff ao ser contratada pelo Detran, em 2017, para evitar prejuízos aos serviços prestados à população e negou que Arthur tenha participação na empresa ou seja sócio de seus controladores em outros empreendimentos. Mesma justificativa dada pela Pvax, que também nega qualquer vínculo com Arthur Menezes.

O GLOBO não conseguiu contato com a Prol Staff, a Bequest e a Angel’s. O Detran afirmou que a Probid, Pvax e Angel’s ainda prestam serviço ao órgão porque “é necessário manter o princípio de continuidade dos serviços à população” e que “abriu 66 procedimentos para apurar irregularidades relacionadas a contratações emergenciais e pagamentos de serviço sem cobertura”. “Além disso, foram demitidos todos os antigos chefes de postos – cargo mais cobiçado pelas indicações políticas”, afirmou o órgão em nota.

Fonte: O Globo

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