Raquel Dodge quer inquérito sobre Paes na Justiça Federal do Rio

RIO —A Procuradoria-Geral da República quer que seja enviado para a Justiça Federal do Rio o inquérito que investiga se o candidato do DEM ao governo estadual, Eduardo Paes, recebeu repasses irregulares da Odebrecht no exterior para a campanha de 2012. A manifestação feita pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, diverge do entendimento do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que em maio havia remetido a investigação do caso para a Justiça Estadual do Rio após a restrição do foro privilegiado de deputados. A apuração sobre Paes estava no STF pois também cita o deputado federal Pedro Paulo Carvalho (DEM).

Procurado, Eduardo Paes preferiu não comentar o andamento da investigação. Quando o inquérito foi aberto, em abril de 2017, ele afirmou ser “absurda” e “mentirosa” a acusação de que teria recebido vantagens da Odebrecht.

Caso seja remetido para a Justiça Federal, como quer Dodge, a investigação poderia cair nas mãos do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pelos processos da operação Lava-Jato no Rio. Neste mês, a defesa de Paes apresentou contestação ao pedido da procuradora-geral. Aristides Junqueira, advogado de Paes, quer manter o processo no STF ou, então, enviá-lo à Justiça Eleitoral. Caso não tenha sucesso no pleito e ele seja enviado à Justiça Federal, Junqueira defende que haja livre distribuição entre as varas, por considerar que as acusações não tem relação com a operação Lava-Jato.

O inquérito apura se Paes recebeu US$ 5,75 milhões da construtora Odebrecht em contas no exterior, entre julho e setembro de 2012, durante a campanha à reeleição para a prefeitura. O executivo da empreiteira Leandro Azevedo relatou os pagamentos em delação premiada. Ele contou que, inicialmente, combinou com Pedro Paulo o repasse de cerca de R$ 11 milhões, “no caixa dois e em espécie”. E que, depois, recebeu “um envelope de Pedro Paulo (indicando) valores a serem depositados no exterior, somando US$ 5,75 milhões”, afirmou Azevedo no depoimento.

Para tentar comprovar as acusações, Azevedo entregou extratos de depósitos nas contas no exterior, abertas em nome das offshores Waterford Management Group e Siwa Capital Group. Conforme os documentos, a Siwa foi contemplada com US$ 3,75 milhões no Bank Privée Espírito Santo, na Suíça, em três depósitos nos dias 17, 20 e 26 de julho de 2012.

Já a Waterford recebeu US$ 2 milhões no Banif Internacional Bank, nas Bahamas, em dois depósitos nos dias 18 e 27 de setembro. As transferências ocorreram por meio do Meinl Bank em Antígua e Barbuda, no Caribe. A Lava-Jato diz que a Odebrecht comprou esse banco para facilitar a distribuição de recursos não contabilizados no exterior.

Eduardo Paes é supeito de usar offsshore para receber propina – Reprodução

INVESTIGAÇÃO PARADA

Além dos extratos, delatores da Odebrecht apresentaram e-mails internos da empreiteira. Uma das mensagens, de 22 de junho de 2012, dizia: “Abaixo, o cronograma e dados para pagamento de Nervosinho”. Este seria o codinome de Paes nas planilhas da Odebrecht. Aberto em abril de 2017, o inquérito no STF não avançou desde então. Os depoimentos dos envolvidos nem sequer ocorreram, e a PGR ainda não solicitou a colaboração das autoridades estrangeiras para chegar aos donos das contas.

Fonte: O Globo

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