Presidente do Goytacaz revela que Seletiva pode ser revista para 2019

O polêmico regulamento do Campeonato Carioca da Série A, que compreende a disputa de uma seletiva – oficialmente chamada de fase preliminar, envolvendo os times que sobem da Série B1 – já vem sendo utilizado há dois anos e criando polêmicas fora de campo. Dez das equipes da elite têm sua permanência garantida na divisão, enquanto os ascendentes da Segundona precisam passar por cinco jogos antes de encontrar-se com os grandes e disputar os jogos grandes do Estadual. Apesar dos pedidos de mudança, o regulamento, que vale até 2024, tem se mantido o mesmo.

Para o ano que vem, porém, já existem as primeiras movimentações para que, ao menos, a questão da Seletiva seja revista. Um de seus opositores mais ferrenhos, o presidente do Goytacaz, Dartagnan Fernandes, já se posicionou publicamente de maneira contrária à realização da fase preliminar, que também cabe rebaixamento, no mesmo ano, aos clubes que a disputam. Nesta terça-feira (28), à Rádio Campos Difusora, ele revelou que a maioria dos clubes já vê a mudança com bons olhos e disse que a questão está “bem encaminhada”, apesar daquilo que considera uma “resistência” por parte da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ):

– Algumas reuniões já têm acontecido, na FFERJ, para tratar sobre o campeonato. O Rio de Janeiro é o único Estado da Federação em que o campeão e o vice da segunda divisão não jogam direto a divisão de cima no ano seguinte. Para haver as mudanças, é preciso que dez clubes concordem. Oito já se manifestaram a favor e ainda precisamos de dois votos. Ainda estão pendentes as posições do Bangu e do Volta Redonda. Existe uma resistência muito grande por parte da FFERJ para que haja uma mudança, mas a coisa está bem encaminhada.

Detalhando o que disse Dartagnan, uma alteração no regulamento do Carioca para 2019 só poderia acontecer com a anuência da maioria dos clubes da competição. Os “quatro grandes” (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco) têm um peso maior em seus votos, o que daria aos demais dez participantes a única opção de se unirem para ter vantagem na questão. Sob esta ótica, o presidente do Goytacaz considera que quase todos os clubes estão inclinados pela mudança, com apenas as diretorias de Bangu e Voltaço precisando se manifestar para fechar a questão.

Em votações deste natureza, os votos dos clubes valem como “pontos” que levam em consideração a posição de cada equipe no campeonato anterior. No caso, envolvendo os 14 clubes da Série A, o Botafogo, atual campeão, teria 14 pontos, com o Vasco (segundo colocado) tendo 13, o Flamengo (terceiro) tendo 12, o Fluminense (quarto) tendo 11 e assim por diante. Se o “quarteto de ferro” se unisse, somaria 50 votos, mas os outros dez clubes somados teriam 55. As posições de Bangu (sete votos) e Volta Redonda (cinco) seriam, portanto, fundamentais em uma decisão.

Caso realmente haja a concordância dos dez clubes, o próprio Goytacaz de Dartagnan Fernandes seria um dos beneficiados, já que jogaria a fase “nobre” do Estadual sem a necessidade da Seletiva. Ao seu lado, também sairiam em vantagem o Resende, que se salvou do rebaixamento no ano passado junto ao próprio Goyta, além de Macaé e Nova Iguaçu, os dois últimos colocados da fase principal do último Carioca. Os dois times que subirão da Série B1, ainda em andamento, também seriam beneficiados.

Procurados pela reportagem do FutRio.net, as diretorias de Bangu e Volta Redonda não se pronunciaram até o fechamento desta matéria.

Alterações são sugeridas há tempos

Não são novas as movimentações, por parte dos clubes, em nome de, ao menos, uma flexibilização da Seletiva. A ideia dos dirigentes, no entanto, esbarra em obrigações contratuais da FFERJ com a TV Globo, detentora dos direitos de transmissão do campeonato. Preocupada com a queda na audiência nos últimos anos, a emissora impôs à FFERJ a condição de que o Estadual fosse “enxuto”, com 12 times, em vez de 16, atuando na etapa mais importante da competição. A formação da Seletiva foi o formato encontrado pela Federação para agradar à TV e manter dois rebaixados à Segundona.

Após a adoção do formato, em 2017, a questão foi discutida amplamente entre os clubes. Mesmo assim, o fim da Seletiva nunca foi admitido pela FFERJ – que sempre garantiu uma ampla aceitação do regulamento – e nem pelas próprias agremiações. Na ocasião, visando a temporada 2019, alguns dirigentes chegaram a se manifestar, na verdade, em nome de um aumento no número de participantes, mas mantendo a Seletiva. Seguindo a linha de raciocínio dos mesmos, a fase preliminar nos moldes atuais serve como um “mecanismo de proteção” contra o rebaixamento.

Em princípio, os participantes da próxima edição da Seletiva seriam Goytacaz, Macaé, Nova Iguaçu, Resende e os dois times que subirão da Série B1. America, Americano e Sampaio Corrêa já estão garantidos nas semifinais da Segundona, aguardando apenas mais uma equipe para fechar a etapa final. Deste quarteto, saem os dois clubes que completarão a fase preliminar da competição, ainda sem data para começar. As definições entre os clubes e a FFERJ deverão acontecer em setembro.

Fonte: FutRio

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