Polícia intima Brazão e investiga relação entre ele e a principal testemunha do caso Marielle

A Delegacia de Homicídios da capital, que investiga as mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes, quer saber a relação do conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, com a principal testemunha do caso. Nesta terça (12), policiais foram ao TCE intimar Brazão e um técnico lotado no tribunal.

A vereadora e o motorista foram mortos na noite do dia 14 de março, em uma rua do Estácio, na região central do Rio.

No mês passado, um delator apontou o vereador Marcelo Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, como mandantes da execução. A motivação do assassinato, de acordo com o depoimento dessa testemunha, foi o avanço de ações comunitárias da vereadora em áreas de interesse da milícia. O ex-PM, que está preso por outro crime, e o vereador Marcelo Siciliano negam as acusações.

No entanto, para o Ministério Público o depoimento do delator é frágil demais, já que se trata de um policial militar que integrava a milícia de Orlando e os dois tiveram muitas desavenças. A testemunha, inclusive, teria sido ameaçada por Orlando.

Nesta quarta, uma reportagem do jornal O Globo disse que a testemunha teria ligação com o agente federal aposentado Gilberto Ribeiro, ex-assessor do conselheiro afastado do TCE. Gilberto também foi convocado pela polícia.

Para a viúva de Marielle, Monica Benício, o crime foi político e alguém poderoso pode estar envolvido nos assassinatos. “Foi um crime muitíssimo bem executado, por isso, eu acredito na dificuldade de se chegar a resposta correta. Eu acredito que por trás disso exista uma pessoa poderosa.”, afirmou Mônica Benício, viúva de Marielle.

“Quem matou Marielle matou por um projeto de poder, é gente com poder, é gente poderosa no Rio de Janeiro, por isso que é fundamental pro Rio, pro país, pra justiça, pra democracia que a gente saiba quem mandou matar “, afirmou o deputado Marcelo Freixo.

Siciliano chamou de ‘factoide’ acusação de delator

No dia seguinte a publicação, Siciliano convocou uma entrevista coletiva, durante a qual chamou de mentirosa a acusação de seu envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.

“Gostaria de esclarecer, antes de mais nada, a minha surpresa com relação ao que aconteceu ontem. A minha relação com a Marielle era muito boa, não estou entendendo por que esse factoide foi criado contra a minha pessoa”, afirmou Siciliano, que também negou conflitos com a vereadora.

Ele ainda destavou que estava sendo vítima de um “massacre” nas redes sociais. “Estou sendo massacrado nas redes sociais por algo que foi dito por uma pessoa que a gente não sabe nem a credibilidade que tem. Nunca tivemos conflito político em região alguma. Ela esteve no meu aniversário. Em Curicica eu não tive muitos votos”, garantiu Siciliano na época.

G1

De sua opinião