PF e MPF cumprem mandados de prisão contra doleiros em mais uma fase da Lava Jato

Foto: arquivo

Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal estão nas ruas de São Paulo para cumprir quatro mandados de prisão contra doleiros e outros de busca e apreensão em mais uma fase da “Operação Câmbio, Desligo”, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas da 7ª Vara Federal Criminal do RJ. Nessa fase, a polícia apura um esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção, chefiado pelo ex-governador Sérgio Cabral.

Os alvos foram identificados dentro do esquema de Sérgio Cabral, a partir das delações premiadas Vinicius Clarer (Juca), e Cláudio Fernando Barboza, o Tony.

“Nesse momento, o MPF pretende a extensão dessa operação [Câmbio, desligo] a fim de verificar as transações realizadas por outros doleiros identificados no sistema dos colaboradores (ST e Bankdrop), quais sejam: NISSIM CHREIM, codinome “Miojo” e SERGIO GUARACIABA MARTINS REINAS, codinomes “ROMA” e “MISTER”, destaca a denúncia do MPF.

Ainda segundo a denúncia, através das operações Calicute, Eficiência, e Hic et Ubique, juntamente com o acordo de colaboração premiada celebrado com Juca e Tony, os investigadores descobriram a atuação de outras pessoas na organização criminosa de lavagem de dinheiro e evasão de divisas liderada por Cabral.

Mandados de prisão preventiva:

  1. Sérgio Guaraciaba Martins Reinas, conhecido como “Roma” e “Mister”
  2. Nissim Chreim, o “Miojo”
  3. Thânia Nazli Battat Chreim

Mandado de prisão temporária:

  1. Jonathan Chahoud Chreim

Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em endereços comerciais e residenciais dos alvos citados acima.

Operação ‘Câmbio, desligo’

A operação “Câmbio, desligo” foi deflagrada em maio de 2018 e prendeu 30 pessoas em quatro estados. Os alvos eram doleiros suspeitos de movimentarem R$ 1,6 bilhão em 52 países.

Em junho do ano passado, o MPF denunciou mais 60 pessoas, incluindo o ex-governador Sérgio Cabral, nessa operação.

Os suspeitos integravam um sistema chamado Bank Drop, no qual doleiros remetem recursos ao exterior através de uma ação conhecida como “dólar-cabo”.

Trata-se de um câmbio que envolve depósitos em contas em diferentes países, mas o dinheiro não é rastreável pelo Banco Central: doleiros recebem no Brasil e compensam em contas no exterior. Por não haver remessa, muito menos registro, o montante escapa das autoridades e dos impostos.

Os procuradores sustentam que a rede de doleiros operava lavando dinheiro para diversas organizações criminosas, inclusive a que o ex-governador foi condenado por liderar.

O “vultuoso” volume de recursos desviados, nas palavras dos investigadores, envolveu dezenas de doleiros espalhados pelos principais centros comerciais do país. A operação só foi possível porque dois deles, Vinicius Clarer (Juca), e Cláudio Fernando Barboza, o Tony, fizeram delações premiadas.

Fonte: G1

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