Lava Jato investiga se ex-procurador-geral da Alerj era usado para questões pessoais de Picciani

Emails interceptados pela Lava Jato e obtidos com exclusividade pelo RJ2 revelam que a atuação do ex-procurador-geral da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) ia além do interesse público, na avaliação de investigadores.

Procuradores afirmam que, no papel, Hariman de Araújo era o responsável pelas questões jurídicas da Alerj, mas que na prática, ele era mesmo um faz tudo pro presidente afastado da casa, Jorge Picciani.

O nome de Hariman foi citado por outros funcionários da Alerj durante uma confusão no dia 17 de novembro quando seguranças da casa chegaram a barrar uma oficial de justiça, e afirmaram que as ordens eram do ex-procurador. Na ocasião, o oficial de Justiça levava uma liminar liberando as galerias da Alerj para a população.

A sessão era justamente uma votação sobre a prisão do ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani, de Edson Albertassi e Paulo Melo, todos deputados do MDB atualmente presos.

Hariman Antônio Dias de Araújo foi nomeado procurador-geral da Alerj por Jorge Picciani em 2010.

A barração do oficial de Justiça foi um dos fatos que fizeram o Ministério Público Federal investigar a suposta atuação de Hariman para proteger os interesses de Jorge Picciani.

Citações em interceptações

O MPF revela que em interceptações telefônicas na operação Cadeia Velha, que prendeu Jorge Picciani, Edson Albertasssi e Paulo Melo, foram verificados diálogos entre Picciani e o deputado Bruno Dauaire, do PRP, nos quais Hariman é citado várias vezes, em contextos de elaboração de estratégia de defesa do ex-presidente da Alerj.

Hariman também fala diretamente com Rafael Picciani, filho de Jorge Picciani, no dia da operação Cadeia Velha.

Na transcrição do áudio, Hariman avisa que já tinha falado com Felipe Picciani, que tinha sido preso em Uberlândia (MG). Rafael pergunta se Hariman já conseguiu falar com ele. O ex-procurador responde avisando: “Providencias tomadas”. Rafael pergunta se Felipe tinha ligado.

Hariman diz que sim, que falou com ele e que já tinha mandado advogados para a casa do seu pai, Jorge Picciani.

A força-tarefa da Lava Jato também interceptou e-mails de Hariman. Em 14 de abril de 2011 o assunto é um imóvel ligado a Jorge Picciani. O então procurador-geral da Alerj recebe o pedido de um despachante para providenciar documentos para a regularização de obras.

Em 16 de abril de 2015, Hariman participa de uma troca de emails que tratam da empresa de mineração que pertence à família de Jorge Picciani, a Tamoio. No anexo está um registro de ações da empresa.

Em 7 de julho de 2015 a assessora de Piciani, Daniela Sholl, recorre a Hariman sobre o pedido de informações de uma jornalista sobre folhas de ponto. Ela pede que o então procurador-geral da Alerj a ajude a responder juridicamente a uma repórter para não dar o que ela pede.

O Ministério Público Federal lembra que Hariman cuidou da parte jurídica na elaboração do documento levado ao presídio pra soltar, sem mandado judicial, os deputados do MDB Paulo Melo, Edson Albertassi e Jorge Picciani – menos de 24 horas depois deles terem sido presos.

No último dia oito, na Operação Furna da Onça, que prendeu 7 deputados estaduais, policiais fizeram busca e apreensão na casa de Hariman.

Hariman Antônio Dias de Araújo pediu exoneração do cargo de procurador geral na semana passada. O Ministerio Público Federal investiga se ele participava da organização criminosa do MDB no estado

O que dizem os citados

Hariman Araújo disse que é um advogado com longa carreira jurídica, que sempre embasou seus pareceres em fundamentos jurídicos, que pediu exoneração do cargo pra se defender melhor e que está à disposição da Justiça.

A assessora Daniella Sholl disse que as folhas de ponto são documentos específicos dos gabinetes e que a procuradora da casa é sempre acionada quando há questões jurídicas envolvendo a Alerj.

A defesa de Jorge Picciani disse que Hariman Araújo não trabalha para o deputado, que ele é sócio do escritório que representa o deputado em diversas ações, mas que não atua nem atuou em nenhum processo particular de Picciani. O ex-presidente da Alerj também diz que os e-mails citados podem se referir apenas a algum encaminhamento de documento paro escritório.

Fonte: G1

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