Ex-secretário de Paes detalha recebimento de mais de R$ 1 milhão de propina

O ex-secretário de obras da gestão de Eduardo Paes, Alexandre Pinto, detalhou parte do recebimento de propina durante o tempo em que esteve à frente da pasta, em interrogatório nesta quarta-feira (4).

Pinto, que já havia admitido o recebimento de vantagens indevidas, disse ter recebido valores da OAS e da Carioca Engenharia Engenharia pelas obras da Transcarioca e da Bacia de Jacarepaguá.

Segundo o ex-secretário, a propina foi oferecida pelas empreiteiras e foi aceita para “não criar nenhum tipo de empecilho”. Os desvios nas duas obras teriam chegado a R$ 36 milhões.

A audiência foi conduzida pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, que questionou se Pinto recebeu propina de outras obras. O interrogado preferiu não responder.

“Ainda estou no sistema prisional e me sinto, na verdade, com receio de algo que possa acontecer com a minha família”.

Segundo o secretário, seu subordinado e ex-secretário Vagner Pereira intermediava o recebimento de propina e os repassava. Pinto não disse se seu subsecretário se beneficiava dos valores, tampouco para quem a propina era repassada.

“Somente tem uma pessoa que ele não entregava, mas eu entregava”. Novamente perguntado se diria quem é, o ex-secretário optou por ficar em silêncio.

Pinto teria recebido de R$ 250 mil a R$ 300 mil da OAS e R$ 810 mil da Carioca Engenharia. Executivos das empreiteiras que firmaram acordos de leniência já haviam falado sobre os pagamentos.

Em março, o ex-prefeito do Rio – à época no MDB, hoje no DEM – depôs como testemunha de defesa no processo. Logo após a prisão, Paes disse que se fossem confirmadas as acusações seria “uma grande decepção”. O ex-prefeito disse, ainda, que o funcionário era servidor de carreira e que a nomeação não foi política.

“Se tivesse alguma denúncia, ele teria sido demitido. Nunca houve nenhuma denúncia. Todas nossas obras eram acompanhadas com uma certa lupa [por causa da Olimpíada]: TCU, AGU, TCM, uma certa força tarefa. Cito até exemplo de uma intervenção que Ministério Público Federal fez nas obras de Deodoro. Interrompeu, não fiquei feliz mas hoje dou graças a Deus”

G1*

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