Ex-secretário de obras de Paes admite ter lavado dinheiro de propina

O ex-secretário de obras da gestão de Eduardo Paes (ex-MDB e hoje no DEM), Alexandre Pinto, admitiu nesta segunda-feira (11) ter recebido propina e lavado dinheiro, em audiência da Operação Mãos à Obra na 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

O ex-secretário foi preso pela última vez em janeiro – ele já havia sido detido em agosto, durante a operação Rio 40 Graus.

De acordo com ele, a vantagem indevida foi recebida por conta de seu trabalho na Prefeitura.

“Sim, senhor (obtive o dinheiro) de maneira indevida. Esses recursos foram de propina que recebi sim, mas preferia me manter em silêncio em relação aos contratos por orientação da minha advogada”, afirmou Pinto.

Os valores foram depositados na conta da mãe. O ex-secretário justificou a lavagem dizendo que estava em um “momento muito ruim” do casamento e que, por ter conta conjunta, “não quis depositar”. Ele também admitiu ter comprado uma sala comercial no nome do filho. Nenhum dos familiares, diz o ex-secretário, sabia a origem do dinheiro.

Pinto não quis especificar quais obras o beneficiaram com propina. Neste processo, Pinto responde por nove atos de lavagem de dinheiro.

O ex-secretário de Paes é réu na Lava Jato fluminense, acusado de embolsar R$ 6 milhões dos R$ 35,5 milhões movimentados em propina para agentes públicos.

Segundo os investigadores, o esquema de propina era comandado por Alexandre Pinto, e foram identificadas remessas ilegais de recursos ao exterior.

Pinto afirmou ter usado cerca de R$ 600 mil em propina, metade deles depositados na conta da mãe. Questionado se recebeu mais vantagens indevidas, preferiu não responder. Ele, que era servidor de carreira, reconheceu ter se corrompido no início da década de 2000.

“Vim aqui hoje, claro que convocado pela Justiça, e meus filhos pediram para falar toda a verdade. A verdade… é falando a verdade, tudo o que posso falar para a Justiça. Tenho que falar. Acho que toda pessoa passa [por um momento difícil]. Não me sinto injustiçado, estou aqui para confessar meus erros. Em respeito aos meus filhos, à minha mãe e à minha mulher. A eles já pedi perdão. Trabalhei mais de 30 anos como servidor público, passei por muitas desgraças como servidor e só tenho que pedir perdão à sociedade. Peço perdão pelos meus erros”.

Logo após a prisão de Pinto, o ex-prefeito Eduardo Paes disse que se fossem confirmadas as acusações seria “uma grande decepção”. O ex-prefeito disse, ainda, que o funcionário era servidor de carreira e que a nomeação não foi política.

G1

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