Ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes perde votos na cidade e muda de eleitorado

Por Italo Nogueira

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), candidato ao governo do Rio de Janeiro, recebeu no domingo (7) votação na capital menor do que nas duas últimas eleições que disputou no município.

Paes recebeu na cidade que administrou por oito anos 729,6 mil votos no último domingo, ou 24% dos válidos.

É menos do que em 2012, quando foi reeleito no primeiro turno com 2,1 milhões de votos, e que em 2008, quando também na primeira votação recebeu 1,1 milhão de votos.

No segundo turno da disputa há dez anos, contra Fernando Gabeira (PV), ele obteve 1,7 milhão.

Paes foi surpreendido pela ascensão na última semana do ex-juiz Wilson Witzel (PSC), impulsionado pela onda bolsonarista na cidade. O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) teve, na capital, 1,9 milhão de votos (58,3%). Witzel, por sua vez, obteve 1,2 milhão (39% dos válidos).

O ex-juiz apoiou Bolsonaro, mas não teve reciprocidade do presidenciável. Conseguiu, porém, o apoio do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) nas últimas três semanas de campanha.

Além de perder apoio na capital, Paes mudou o perfil de seu eleitorado em comparação aos pleitos anteriores.

Nas últimas eleições de que participou, o candidato do DEM costumava apresentar seus melhores resultados proporcionais nos bairros mais pobres das zonas oeste e norte. Foi nesta área que a gestão municipal de Paes realizou seus principais investimentos.

Neste primeiro turno, contudo, Paes só venceu em duas zonas eleitorais da zona sul, com mais de 30% dos votos válidos.

Não é a primeira vez que Paes sofre uma derrota política na capital. Em 2016, ele viu seu candidato Pedro Paulo sequer chegar ao segundo turno da eleição municipal.

O ex-prefeito não quis analisar seu resultado no primeiro turno.

“Isso eu deixo para os analistas. Eu evitei comentar quando estava liderando as pesquisas, o que me dá o direito de não comentar agora.”

A estratégia da campanha é apresentar Witzel como um desconhecido do eleitorado, apesar dos 3,1 milhões de votos que recebeu no primeiro turno.

Paes também buscou apresentar vínculos com Bolsonaro nesta terça (9), em visita ao Hospital Central da Polícia Militar. Ele declarou manter neutralidade na disputa presidencial, mas criticou os ataques ao capitão reformado.

O ex-prefeito afirmou que conhece o presidenciável “há muitos anos”, citando seus filhos, o senador eleito Flávio (PSL), e o vereador Carlos (PSC), além da ex-mulher do capitão reformado Rogéria Bolsonaro, que trabalhou na Prefeitura do Rio de Janeiro a seu convite.

“Tenho com eles a melhor relação. Acho que essa radicalização, inclusive na crítica ao Jair Bolsonaro, é muito ruim. No convívio que tive com o Jair Bolsonaro, sempre vi nele uma pessoa que aceitava crítica, que participava do contraditório, que disputava eleição”, declarou.

Paes desferiu seu primeiro ataque ao ex-juiz ao criticar a participação de Witzel no ato em que o deputado eleito Rodrigo Amorim (PSL) quebrou uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL). “O assassinato da Marielle é o assassinato de uma cidadã, mas que era uma vereadora e que representava uma luta contra o crime organizado, seja de que forma ele se manifestasse. É inaceitável o gesto do deputado eleito [Rodrigo Amorim] como do candidato a governador”, disse o ex-prefeito.

Witzel afirmou que a morte de Marielle foi um atentado contra a democracia, assim como a facada no presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Ele disse ainda que, por ter sido juiz criminal, poderia ajudar “pessoalmente” na investigação do caso.

Adversário eleitoral, ex-juiz ameaça ex-prefeito de prisão

Rio de Janeiro”O ex-juiz Wilson Witzel manteve a temperatura alta no início do segundo turno no Rio, ao ameaçar nesta terça (9) prender em flagrante o ex-prefeito Eduardo Paes caso seja alvo do que chama de “injúria” durante algum debate.

Witzel afirma que tem sido vítima de informações falsas circulando nas redes sociais. Ele atribui a divulgação a Paes, que nega.

“O crime de injúria é de pequeno potencial ofensivo. Está sujeito sim a voz de prisão. O que eu tenho dito é que a política tem sido feita de uma forma irresponsável. Essas fake news”¦ Elas só podem sair de um lado, que é o candidato opositor. Esse tipo de coisa, não vou admitir. Se for praticado crime de injúria durante programa de televisão, nós vamos parar na delegacia”, disse ele.

Paes negou ser o responsável por notícias falsas sobre o adversário, mas disse que ele terá “que aprender que, quando se está na vida pública, somos o tempo todo arguidos sobre o que a gente faz ou não”.

“Ser candidato a governador não é ficar dentro de uma sala de juiz assinando e determinando coisas. Todos temos a obrigação de responder. […] Ele [Witzel] vai ter que aprender que governar não é um ato arbitrário e de autoritarismo”, afirmou ele.

O ex-prefeito do Rio também divulgou um vídeo nas redes sociais dizendo que “aqui não vai funcionar carteirada não” em resposta ao adversário.

Witzel iniciou a campanha com apenas 1% das intenções de voto e obteve o dobro dos votos de Paes. Após a votação, reconheceu que o apoio do clã Bolsonaro teve papel importante em seu crescimento.

Fonte: Folha de São Paulo

De sua opinião