Detran-RJ suspende emissão de documentos após prisão do presidente

O Detran-RJ suspendeu, nesta sexta-feira (9), a emissão de todos os documentos relativos a serviços do órgão, como carteira de identidade, habilitação e certificados de veículos. A paralisação foi consequência da exoneração do presidente Leonardo Jacob, preso nesta quinta-feira (8) na Operação Furna da Onça.

O departamento explicou, em nota, que todos os documentos necessitam de chancela do presidente. A exoneração de Jacob, determinada pelo governador Luiz Fernando Pezão, foi publicada no Diário Oficial do RJ desta sexta, mas a edição não trazia um substituto.

No início da manhã, com o vácuo no comando do Detran, serviços agendados até eram realizados, mas o contribuinte saía dos postos apenas com um protocolo nas mãos.

Foi o caso do motorista de aplicativo Raphael Fellipe, que recebeu a má notícia no posto de Vila Isabel, onde foi tentar renovar o documento do carro.

“Cheguei 8h30, fiz a vistoria e só quando cheguei na cabine é que informaram que o CRLV não estava saindo. Saí e vão me ligar quando puder”, afirmou Raphael, com o protocolo na mão.

Sobre ter saído da vistoria sem o documento pela falta de assinatura porque o presidente do Detran está preso, ele é categórico: “O cidadão sempre paga”.

O engenheiro aposentado Cléber Freitas chegou mais cedo para a vistoria e também realizou todo o procedimento, mas não conseguiu pegar o documento. Os funcionários ficaram com os contatos para ligar quando estivesse pronto.

“Devia ter um vice que pudesse assinar em um caso de ausência do presidente”, sugeriu.

Corrupção no Detran

Jacob foi um dos 22 presos da Operação Furna da Onça, deflagrada nesta quinta-feira (8) pela força-tarefa da Lava Jato no Rio. Segundo o Ministério Público Federal, o Detran serviu como cabide de cargos para deputados estaduais, que trocavam as indicações por apoio político e votos na Alerj.

Antecessor de Jacob na presidência do Detran e deputado federal eleito, Vinícius Farah também foi preso. Nesta sexta-feira, o G1 mostrou que deputados presos pela PF lotearam postos em 20 municípios do RJ.

Além da farta distribuição de cargos, o esquema incluía o pagamento de “mensalinhos” – que movimentou ao menos R$ 54 milhões. Parte da verba saiu de sobrepreço de contratos do esquema chefiado pelo ex-governador Sérgio Cabral.

“As investigações demonstraram que esses personagens lotearam o Estado do Rio de Janeiro para viabilizar a execução dos seus interesses políticos. Alerj se tornou propinolândia”, resumiu o procurador-regional da República, Carlos Aguiar.

Fonte: G1

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