Delator, ex-operador do esquema Cabral vai deixar a prisão nesta sexta

RIO – Os advogados Daniel Raizman e Fernanda Freixinho, que defendem o economista Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, estão seguindo na manhã desta sexta-feira para a Cadeia Pública José Frederico Marques, mais conhecida como Presídio de Benfica , na Zona Norte do Rio, onde pretendem acompanhar a saída de seu cliente. Ex-operador do ex-governador Sérgio Cabral e principal delator da Operação Calicute (versão da Lava-Jato no Rio) e de seus derivados, Miranda deixa Benfica, após dois anos de prisão em regime fechado, para cumprir a partir de hoje cinco anos de prisão domiciliar, por força do acordo de delação premiada. Ele foi preso junto com o ex-governador em 17 de novembro de 2016.

A progressão de regime, com a transferência de Miranda para casa, ainda dependem dos alvarás de soltura expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal e pela Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça (VEP), ambos aguardados pelos advogados para o decorrer do dia. Pelo acordo, o ex-operador de Cabral ficará os primeiros dois anos em casa com visitas permitidas por pessoas devidamente cadastradas pela Justiça Federal, a acesso à internet de 6h às 20h, mas somente para assuntos ligados a atividades profissionais e de estudos.

Após dois anos nestas condições, Miranda passará o ano e meio seguinte em regime de prisão domiciliar semiaberta, quando poderá deixar a casa, das 6h às 20h, para exercer atividades profissionais e de estudos, autorizadas pela Justiça, restritas à Região Metropolitana do Rio. No ano e meio restante, o ex-operador cumprirá a domiciliar aberta, quando poderá sair das 6h às 20 h para motivos diversos.

Uma das delações mais importantes

Com cerca de 80 anexos, a delação de Miranda foi a mais importantes das investigações sobre o esquema de propina comandado pelo ex-governador, uma vez que o ex-operador foi responsável, de 2007 a 2014, pelo recolhimento e distribuição de cerca de R$ 1 bilhão, estimam os advogados. Miranda citou, entre membros do governo Cabral, empresários e parlamentares, nomes que todos que passaram pela contabilidade paralela do esquema, permitindo operações e prisões como as que ocorreram recentemente contra a corrupção na Assembleia Legislativa (Furna da Onça).

– A colaboração foi essencial para as investigações porque permitiu orientar todo o trabalho do  Ministério Público Federal para desmantelar a estrutura corrupta do estado – disse Daniel Raizman.

Fonte: O Globo

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