Delator desmente tese de Cabral e reafirma que Fetranspor pagou propina e não caixa dois

Carlos Miranda, o ex-braço direito de Sérgio Cabral na gerência do caixa da organização criminosa desvendada pelo Ministério Público Federal, prestou depoimento nesta terça-feira (6). Ele foi ouvido na Operação Ponto Final, desdobramento da Lava Jato no Rio, e desmentiu a tese do ex-chefe de que teria recebido contribuições ilegais de campanha, ou caixa dois, e reafirmou que se tratava de propina.

O ex-governador do Rio tem sustentado que jamais recebeu propina. Na narrativa de Cabral, ele admite ter recebido contribuições de campanha não declaradas para si e correligionários do atual MDB. Os gastos de Cabral seriam, segundo essa versão, sobras de campanha. O Ministério Público Federal (MPF) discorda e, assim como Miranda, garante que se trata de vantagem indevida.

No caso da Fetranspor, federação que representa empresas de ônibus, Miranda enumerou casos de interesse do sindicato que foram atendidos no governo. Ele citou projetos relativos ao ICMS e ao IPVA. Por eles, em 2014, a organização criminosa chegou a receber um bônus de R$ 90 milhões – distribuídos entre seus membros.

Carlos Miranda, preso desde 2016 por distribuir a propina no esquema de Sérgio Cabral — Foto: Reprodução/TV Globo

Carlos Miranda, preso desde 2016 por distribuir a propina no esquema de Sérgio Cabral — Foto: Reprodução/TV Globo

Miranda afirma que dentre os beneficiados estavam os então deputados Paulo Melo e Jorge Picciani, o ex-presidente do Detro Rogério Onofre e secretários como Wilson Carlos, Régis Fichtner e o então titular da pasta de Planejamento, Sérgio Ruy Barbosa.

O interrogatório foi feito pelo juiz Marcelo Bretas. Miranda contou que, em 2014, a Fetranspor pagou R$ 90 milhões de bônus em propina, inclusive para adiar a licitação de ônibus intermunicipais. Com isso, as empresas se mantiveram exploradoras do serviço.

Nesse mesmo ano, Cabral se afastou do cargo e seu vice, Luiz Fernando Pezão, assumiu. Bretas, então, perguntou se o bônus de R$ 90 milhões pago à organização serviria para interferir não só no governo de Cabral, mas também no “governo futuro”. O delator respondeu que não poderia afirmar.

Miranda também afirmou que até 2016 a organização criminosa tinha valores em aberto e recebeu novas parcelas de propina da Fetranspor.

Fonte: G1

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