Casas Bahia lançam banco digital voltado para consumidores de baixa renda

RIO — A rede de varejo Casas Bahia entrou no segmento financeiro, ao lançar ontem o banQi, um banco digital voltado para a baixa renda. O objetivo é promover a bancarização da população com pouco ou nenhum acesso aos bancos tradicionais. O banQi é uma parceria entre a Via Varejo, controladora da rede, e a start-up financeira americana Airfox.

Segundo Juedir Teixeira, professor de Varejo no MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), o movimento das Casas Bahia está se tornando uma tendência. A rede, que começou com vendas parceladas no fim da década de 1950, já tem o conhecimento desse público de baixa renda, o que facilita atingir essa parcela da população com o banco digital.

— Samuel Klein, o fundador da rede, começou vendendo cobertor parcelado de porta em porta. As Casas Bahia sempre trabalharam com esse público que estava fora do sistema bancário e do sistema de crédito direto para essas pessoas. Eles já têm o cadastro desse público. Assim fica mais fácil operar. O carnê ficou para trás, e veio o banco digital.

Teixeira acredita que outras redes devem lançar produtos semelhantes, tentando atingir as classes C e D.

O banQi é gratuito, e o aplicativo já está disponível no Google Play. Por meio dele, será possível fazer transferências bancárias, consultar saldos e extratos, fazer depósitos, pagar boletos e contas, e recarregar celular, entre outros. Para abrir a conta digital, não é necessária a comprovação de renda. As unidades das Casas Bahia servirão de pontos de apoio para atendimento e prestação de serviços aos clientes.

A partir da próxima semana, os serviços estarão disponíveis para 34 lojas no estado de São Paulo. A expectativa é que até o fim de julho todas as unidades da rede estejam integradas à operação do banQi, já com outras funcionalidades, como assinatura eletrônica do crediário, cartão de débito, saque e rendimento do saldo. No futuro, a ideia é oferecer empréstimos pessoais.

— A oferta de serviços financeiros digitais está sendo vista pelas empresas como uma estratégia de diversificação de negócios e como uma forma de alavancar seus próprios resultados financeiros. Até bancos médios estão fazendo isso. No caso da Via Varejo, que sempre fez crediário, a estratégia faz sentido também porque, por ser voltada para as classes C, D e E, deve proporcionar a ampliação da base de clientes nesse segmento — observou Claudia Eliza, líder do escritório no Rio da consultoria PwC.

Fonte: O Globo

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