Cadeia Velha: Testemunhas afirmam que deputados da Alerj receberam propina e valores indevidos

Testemunhas e delatores da Operação Cadeia Velha, responsável por prender a cúpula da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), estão sendo ouvidos nesta terça-feira (19) no Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª região.

De acordo com Leandro Azevedo, ex-executivo da Odebrecht, o deputado Paulo Mello teria pedido pagamentos para campanha dele por caixa 2. O pagamento, segundo Azevedo, foi feito por intermédio de Álvaro Novis, doleiro e delator no processo da Cadeia Velha. Ainda de acordo com Azevedo, o nome no esquema de propinas da Odebrecht para se referir ao deputado Pulo Mello era “Maria Mole”.

O terceiro ouvido e também responsável pelo setor de propinas da empresa, Benedicto Júnior, também falou sobre o pagamento de Caixa 2 a Paulo Melo e a Jorge Picciani.

Já Marcelo Traça, ex vice-presidente da Fetranspor, disse que o deputado Jorge Picciani teria recebido R$ 2 milhões por mês. Em depoimento, Traça disse que tinha uma relação de amizade de anos com Jorge Picciani e que no final de 2015 foi chamado para uma reunião na casa dele, onde firmaram um compromisso de envio mensal de R$ 2 milhões ao deputado. Ele assegurou que foram feitas 40 remessas ao deputado, que teriam sido entregues por intermediários.

A operação Cadeia Velha levou para a cadeia os deputados Jorge Picciani, Paulo Mello e Edson Albertassi e investiga um esquema de corrupção em que os deputados usavam da sua influência para aprovar projetos na Alerj para favorecer as empresas de ônibus e também as empreiteiras.

Atualmente, Jorge Picciani está em prisão domiciliar por causa de sua saúde e Paulo Mello e Albertassi seguem presos em Bangu.

Até as 12h, quatro delatores tinham sido ouvidos pelo desembargador Abel Gomes, foram eles: Ricardo Pernambuco (Carioca Engenharia), Leandro Andrade (Odebrecht), Benedito Barbosa (Odebrecht) e Marcelo Traça (Fetranspor).

À tarde, foram adiados os depoimentos de Carlos Miranda, apontado pelo MPF como operador do ex-governador Sérgio Cabral, e do ex-presidente do TCE Jonas Lopes, que estavam previstos. A defesa de Miranda pediu acesso aos arquivos de colaboração premiada de Carlos Miranda.

Fonte: G1

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