Bretas manda vender Lamborghini de Eike, lancha de Cabral e fazenda de Carlos Miranda

RIO — Sob o martelo do leiloeiro Renato Guedes, alguns dos símbolos da opulência do grupo ligado ao ex-governador Sérgio Cabral vão mudar de dono no mês que vem. Por determinação do juiz Marcelo Bretas , da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, um lote de bens apreendidos pela força-tarefa da Operação Lava-Jato no Rio irá a leilão em duas etapas, nos dias 4 e 18 de julho, na sede da Justiça Federal. Na lista já divulgada em edital, destacam-se a lancha “Manhattan Rio”, atribuída a Cabral, a fazenda “Três Irmãos”, de Carlos Miranda, operador financeiro do ex-governador, e o Lamborghini Aventador, carro de luxo que enfeitava a sala do empresário Eike Batista.

No primeiro leilão, Renato Guedes oferecerá os bens por preço igual ou superior ao valor da avaliação. O lote, composto por duas lanchas, dois jetskis, um jetboat, três carros e dois imóveis (uma fazenda e um apartamento), soma R$ 12,5 milhões. O segundo leilão, no dia 18, seguirá o critério da melhor oferta, desde que não seja inferior a 75% do valor da avaliação.

O bem mais caro da lista é a lancha “Spirit of Brazil” – Intermarine 680, de Eike Batista, avaliada em R$ 3,5 milhões. O empresário, que chegou a ser preso sob a acusação de pagar propina a Cabral, figura como dono de outros quatro bens destinados a leilão. Um deles é a Lamborghini Aventador, ano de fabricação 2012, avaliada em R$ 2,2 milhões. O modelo, com 700 cavalos de potência, é capaz de ir de zero a 100 quilômetros por hora em 2,9 segundos e atinge velocidade máxima de 350 quilômetros por hora. No entanto, quem arrematá-lo terá de assumir débitos de IPVA, dos exercícios 2018 e 2019, no valor de R$ 135 mil, além de multa junto ao Detran no valor de R$ 127,00.

Lançado em 2011, o Aventador ainda é o mais caro e potente superesportivo da atual linha Lamborghini. Sucessor direto dos modelos Diablo e Murciélago, está um degrau acima do Huracán na gama de modelos produzidos pela marca italiana.

Completam a lista de bens de Eike o jetboat “Thorolin” (R$ 47 mil) e os jetskis “Spirit of Brazil X” (R$ 42 mil) e “Spirit of Brazil IX” (R$ 52 mil).

O empresário anunciou que não criará obstáculos ao leilão de bens. O advogado do empresário, Fernando Martins, explicou que o cliente apóia a venda:

– O leilão se dará por solicitação de Eike Batista, para venda antecipada dos bens, visando resguardar seus respectivos valores aquisitivos, uma vez que se encontram sem uso e sem manutenção há algum tempo.

Quem arrematar a “Manhattan Rio”, outro ícone da Era Cabral, avaliada em R$ 2,95 milhões, assumirá o comando de uma lancha com quatro quartos, sendo duas suítes com camas de casal, sala de estar e de jantar e capacidade para um tripulante e 23 passageiros.

Ao determinar a alienação antecipada dos bens, Bretas foi motivado pelo processo de depredação da fazenda “Três Irmãos”, do operador Carlos Miranda em Paraíba do Sul. Com 21,2 alqueires, a propriedade sofreu ao longo dos dois últimos anos constantes invasões e furtos de patrimônio. Avaliada em R$ 3 milhões, a “Três Irmãos” é um complexo com casa principal, casa de hóspedes, casa do administrador da fazenda, curral, capril, bodário, alambique e galpão .

O lote conta ainda com um apartamento na Rua Geminiano Góis, nº 151, Freguesia (R$ 580 mil), pertencente a Ary Ferreira da Costa Filho, outro operador de Cabral, um Pajero HPE (R$ 155 mil), do ex-secretário de Obras Hudson Braga, e um Peugeot 206 (R$ 11 mil), de Luiz Carlos Bezerra, apontado como coletor da propina de Cabral.

Os valores arrecadados no leilão serão depositados na Caixa Econômica Federal até que haja o trânsito em julgado dos processos da Lava-Jato no Rio.

O Globo*

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