Anistia pede comissão independente para acompanhar caso Marielle

A Anistia Internacional pediu que uma comissão independente acompanhe as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Os crimes foram há 120 dias.

As cobranças feitas nesta quinta-feira (12) por manifestantes na Candelária, no Centro do Rio, são as mesmas há quatro meses. Os pais de Marielle, que sempre apoiaram o trabalho da polícia, agora temem que ninguém seja punido.

“Me parece que está chegando em um ponto de impunidade, de uma estatística, que a gente não vai deixar, nem que eu vá sozinha para a rua, eu vou lutar pela vida da minha filha”, afirma a mãe de Marielle, Marinete da Silva.

A vereadora Marielle Franco, do PSOL, e o motorista Anderson Gomes foram mortos no dia 14 de março. Ao sair de um evento com mulheres negras, o carro onde ela estava foi perseguido pelos assassinos.

A vereadora foi atingida por quatro tiros na cabeça, mas o material das câmeras de segurança de pouco adiantou.

A maioria dos delegados da Divisão de Homicídios e seis promotores participam da investigação. Até agora ninguém foi nem indiciado.

Durante as investigações o interventor federal na segurança, General Braga Neto deu alguma esperança.

“A investigação está indo bem. O que nós estamos buscando no caso são as provas. No mais, nada a declarar”, disse.

Nesta quinta-feira (12), nenhuma autoridade quis gravar entrevista.

Aos 30 dias, aos 60, aos 90, sempre protestos, lágrimas e mais cobranças.

Quatro meses depois, a principal linha de investigação, que aponta uma disputa política e territorial na Zona Oeste do Rio, não avançou.

Quem foi protestar nesta quinta (12) tem a sensação de que a solução desse crime ainda permanece distante.

Em visita ao Rio, a paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, grafitou na quarta-feira (11) o rosto da vereadora Marielle Franco numa comunidade da Zona Sul.

Ela e todos se perguntam: quem matou Marielle e Anderson?

A Anistia Internacional defende a criação de uma comissão independente para acompanhar o caso.

“A não solução desse caso quatro meses depois, coloca em xeque a credibilidade de diversas instituições do Sistema de Justiça Criminal, responsáveis por investigar o caso”, diz Renata Neder, da Anistia Internacional Brasil.

“Nós não temos ainda nenhuma, nenhuma, nenhuma notícia, linha de investigação, quem foi, quem mandou, porque foi. E não temos essa resposta”, lamenta o pai Antônio Francisco da Silva.

Fonte: G1

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