A monocultura da mídia corporativa está na raiz da produção em massa de “fake news”

Por Marcos Pedlowski

Há pouco mais de 8 anos resolvi lançar um blog para externar ideias e disseminar informações que normalmente não encontrava disponível na mídia corporativa.  Ainda que esta decisão tenha me obrigado a um processo de aprendizagem sobre como e o que veicular, esta ferramenta vem sobrevivendo, até porque vejo que existe gente que procura este espaço para se informar sobre o que de fato está ocorrendo, por exemplo, em Campos dos Goytacazes.

É que se formos deixados à mercê da mídia corporativa, independente do tamanho da empresa que controle um determinado veículo, estaremos submetidos à uma visão patronal da realidade.  O fato é que mídia corporativa tem sempre um dono interessado em preservar uma certa narrativa que necessariamente não apresenta fatos, mas versões deles e sempre a serviço de alguém.

No Brasil, essa colonização da realidade se dá sempre na forma do que os burgueses (ou aspirantes à burgueses) mais preferem, qual seja, o da monocultura ou, melhor ainda, de uma “mono-cultura”. E nos mesmos raros momentos em que a mídia corporativa oferece a realidade e não construções alegóricas da mesma e com finalidades que não são publicáveis nem, tampouco, publicadas.

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Tomemos por exemplo o caso da cobertura que se dá ao momento que estamos vivendo em Campos dos Goytacazes. Diferente do momento anterior em que um espirro da prefeita Rosinha Garotinho era apresentado em manchetes garrafais como sendo uma demonstração de que ela tinha pneumonia, agora vivemos como vivêssemos numa cidade à frente do seu tempos.  E aqueles milhares buracos que apareceram nos últimos 18 meses nas ruas de Campos dos Goytacazes? Esses são agora meras ilusões de ótica que não estão infernizando a vida de quem precisa dirigir. Nem a tinta verde que está se espalhando pela cidade afora parece fazer que esta situação deplorável possa ocupar sequer uma coluna secundária numa página que a maioria dos leitores nem presta atenção.

Importante notar que não se pode culpar os bravos jornalistas, a maioria deles muito jovens e recém saídos do curso de graduação, por essa monocultura colonizadora da nossa realidade. É que o profissional que ousa questionar ou mesmo trabalhar com esmero acaba como ganhando como prêmio o caminho da rua. Por isso, muitas vezes, muitos desses jornalistas acabam abandonando a profissão, ou mesmo criando seus próprios espaços de informação para, finalmente, poderem exercer com liberdade o ofício que escolheram.

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Por tudo isso, em que pese não ter a ambição de ampliar o escopo de atuação deste blog, pois meu tempo é razoavelmente ocupado pelas minhas tarefas de professor universitário, é que me animo quando vejo espaços da mídia alternativa alcançando maiores fatias do público leitor, enquanto os veículos da mídia corporativa entram em franca decadência. Desse processo que se assemelha a um processo de sucessão ecológica é que podemos esperar a quebra da monocultura midiática que mantém nosso povo prisioneiro das “fake news” que são produzidas para nos manter enquanto uma sociedade profundamente desigual e injusta.

*Marcos Pedlowski é Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense em Campos dos Goytacazes, RJ. Bacharel e Mestre em Geografia pela UFRJ e PhD em “Environmental Design and Planning” pela Virginia Tech.

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